Achei engraçadinho escutar hoje no ônibus uma senhora de seus cinqüenta anos virar para uma outra e falar; “Você ouviu a notícias das chuvas no Rio? Tá quase como a chuva que deu em Blumenau, só que sem os vendavais com ventos de quarenta e cinco quilômetros” e logo, a resposta convicta em seguida; “O mundo está acabando, querida” – abriu a bolsa, retirou uma balinha de menta, e a pôs na boca – “E as pessoas não tomam consciência e continuam a poluir com essas indústrias e lixo tóxico das usinas.” – amassou o papel da balinha e o jogou pela janela.

Moral da história? Não, essa é óbvia, sem comentários…

Por pouco, por muito pouco, eu não me levantei e respondi-lhe; – Porque antes de reclamar do que fazem as indústrias, não pensa que os donos dessas indústrias são pessoas como a senhora, que têm plena noção do que fazem, mas não tentam ao menos amenizar, seja instalando filtros contra o escape de poluentes, seja jogando um simples papel de uma bala no lixo ao invés da janela?

Por respeito a idade da senhora em questão, e porque eu sabia que ainda que o falasse de nada adiantaria, calei-me.

Entalada. E pensando que os filhos dessa senhora devem ter a mesma visão dela, e que estes podem ser os futuros donos de uma dessas indústrias parasitas de as quais ela condenou, tive de vir aqui desabafar. Isso é só mais um Grito Verde, um dos vários que serão expostos aqui, um Grito de Consciência que o Mundo Precisa Ouvir.

Alihanna

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